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Voluntário do CVV há 5 anos diz que número de ligações na pandemia aumentou: ‘Foi um problema

A maioria das pessoas que entram em contato estão sozinhas.

Por Lorena Segala, TV Centro América

A pandemia de Covid-19 trouxe como consequência problemas emocionais a milhares de pessoas. A dor do luto, da perda, da saudade e o período curto em que todas essas emoções surgiram na vida de milhares de famílias causaram problemas que afetam a saúde mental, conforme destaca o voluntário do Centro de Valorização da Vida (CVV), Carlos Eduardo Laterza de Oliveira.

(Na próxima semana o Bom Dia MT e o Bom Dia MS exibem a série “Um outro olhar: saúde mental na pandemia”, que traz reportagens sobre como a pandemia da Covid-19 mudou a vida das pessoas e impôs uma nova realidade, novos hábitos, mudou as relações, trouxe medo e preocupação)

Há 5 anos atuando no CVV, ele conta que é perceptível o aumento de ligações durante a pandemia e que a Covid-19 foi o assunto de várias conversas durante este período.

“A gente nota que houve um aumento e percebe que o assunto pandemia aparece em boa parte delas. As pessoas já tinham problemas e, de repente, foi um problema a mais. Esse assunto aparece dentro das dores e do sofrimento que as pessoas estão passando”, contou.

Ele explica que a maioria das pessoas que entram em contato estão sozinhas. “Elas têm a oportunidade de falar porque precisam e o pouco que a gente ouve já ajuda a aplacar com a solidão. A pandemia acaba surgindo nas ligações então é natural que as pessoas tinham seus problemas, suas questões e o surgimento da pandemia trouxe dor, sofrimento, adoecimento mental”, disse Carlos Eduardo.

A organização civil é formada por voluntários que prestam um serviço de apoio a prevenção do suicídio.

A todo momento, os 4 mil voluntários ficam dispostos para conversar com as pessoas por telefone, e-mail e um chat no site. Em 2020, foram mais de 3 milhões e 200 mil ligações de todo o Brasil.

As ligações são gratuitas, sigilosas e podem ser atendidas por voluntários de todos os estados. Não necessariamente, os ouvintes estão na cidade das pessoas que ligam procurando ajuda.

Em Cuiabá, o CVV atende ligações há 30 anos, além de ter criado o programa “CVV Comunidade”, que ensina e aplica cursos para a sociedade conseguir entender e ajudar outras pessoas que precisam ser ouvidas.

Para ser voluntário, basta ter acima de 18 anos e passar por um treinamento de três meses oferecido pela organização social. Após ser aprovada, a pessoa passa a fazer parte do grupo de voluntários e precisa ter uma disponibilidade de quatro 4 horas de plantão para ajudar nos atendimentos.

“Nós somos treinados justamente para conseguir fazer essa audição empática, poder ouvir as pessoas com compreensão, respeito, aceitação e permitir que aquela pessoa tire essa pressão interna e possa junto com um voluntário pensar em soluções”, contou.

Ele conta que o contato com outras pessoas traz ensinamentos não só a ele, como a todos os voluntários.

“Eu estava procurando um projeto para ser voluntário e encontrei o CVV. Para mim foi uma grande alegria porque ele oferece a voz, a oportunidade de ajudar e também é um caminho de autoconhecimento. O contato com a outra pessoa faz a gente crescer demais. O que sempre marca é o contato com a outra pessoa, cada pessoa tem suas vivências e a cada contato é muito importante ouvir a outra pessoa de forma interessada, com atenção e de forma genuína. Então o que me encantou foi a oportunidade de ajudar as outras pessoas simplesmente ouvindo”, disse.
Saída para manter laços com amigos e familiares é utilizar ferramentas e aplicativos de videochamadas — Foto: Getty Images via BBC

Saída para manter laços com amigos e familiares é utilizar ferramentas e aplicativos de videochamadas — Foto: Getty Images via BBC

Tecnologia gera aproximação

De acordo com o psiquiatra Daniel Martins de Barros, os recursos tecnológicos podem ajudar nesse momento para conseguir se aproximar das pessoas sem precisar estar juntas fisicamente.

“As mudanças de rotina que a pandemia trouxe foram muito estressantes. Os recursos tecnológicos podem nos ajudar. Obviamente eles não são exatamente a mesma coisa que encontrar uma pessoa, ir em uma festa, mas você pode matar a saudade, conversar e ver a pessoa do outro lado. A tecnologia não é uma substituta perfeita, mas ajuda a encurtar essas distâncias, aproximar as pessoas e estabelecer conexões”, explica.

Ainda de acordo com o médico, as conexões pessoais não dependem exclusivamente da presença física. Muitas vezes as pessoas se sentem próximas de alguém que mora em outra cidade, outro estado, mas que pode oferecer suporte emocionalmente.

Segundo o psiquiatra, é muito importante verbalizar para conseguir organizar as ideias e ajudar a dar sentido para aquilo que estamos sentindo.

“É importante que a gente tenha algumas pessoas com as quais a gente possa falar profundamente sobre aquilo que estamos sentindo, para se abrir, ouvir o que a pessoa está sentindo. Isso leva a conexões reais e profundas. São esses vínculos pessoais que vão nos dar sustentação e ajudar a atravessar essa pandemia. A fala é muito importante porque, quando falamos, a gente organiza nossos pensamentos e põe as ideias no lugar”, disse.

Imagem: Voluntário do CVV diz que busca por atendimento aumentou na pandemia — Foto: TVCA/Reprodução

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