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Radicada nos EUA, artista brasileira se mantém conectada às raízes mineiras

por Mariana Gonzalez, no UOL

Quem visitar a exposição “Oh, I Love Brazilian Women”, que estreia no próximo dia 5, em Nova York, poderá ver, entre outras obras de arte, a performance de uma mulher descalça, correndo no sentido horário, durante uma hora, dentro de um buraco na terra — trata-se da artista June Canedo de Souza, brasileira de 32 anos que mora nos Estados Unidos desde criança.

A migração da família para a Carolina do Sul quando ela tinha 9 anos foi determinante em sua carreira: as memórias da infância em Minas Gerais e a experiência de ver a mãe realizando trabalho doméstico durante anos são as principais referências de seu trabalho, como afirma, na biografia publicada em seu site.

A artista é uma das 12 escolhidas para compor a mostra “Oh, I Love Brazilian Women”, que joga luz sobre a sexualização e outros estigmas que atingem mulheres brasileiras vivendo fora do Brasil. A mostra será exposta na apexart, em Manhattan, e foi organizada pela também brasileira Luiza Testa.Performance The Water Fountain, de June Canedo, que é parte da exposição “Oh, I Love Brazilian Women”

No ano passado, June Canedo publicou “Mara Kuya”, livro em que narra em texto e fotos sua relação com a migração, indicado à premiação Aperture Foundation Photobook — por isso, prefere falar pouco sobre este processo em entrevista a Universa.

Mas fala de como a imagem do Brasil vendida para os outros países impacta diretamente a vida das brasileiras lá fora e conta, ainda, sobre a busca pela descoberta do que é ser uma mulher brasileira, depois de 23 anos vivendo fora do país.Imagem: Divulgação

“Da porta para fora, tive que virar americana”

A artista produz obras em forma de performances, esculturas e fotografias, e faz mestrado em Artes Plásticas. “Eu não escolhi ir para os Estados Unidos. Desde os 18 anos, penso em voltar [para o Brasil] e construir uma vida aqui.”Fotografia feita por June Canedo na casa de parentes no interior de Minas Gerais, onde nasceu

“A mulher brasileira é tudo, menos a Victoria’s Secret”

Durante a Copa do Mundo de 2014, que aconteceu no Brasil, o país foi assunto lá fora — e as mulheres brasileiras também, lembra June.

Até então, ela tinha poucas referências sobre o que é ser uma mulher brasileira: modelos da Victoria´s Secret e as mulheres de sua família, que, segundo ela mesma, são bem diferentes de Gisele Bündchen e Adriana Lima, que já desfilaram para a famosa empresa de lingeries.

“Estou sempre em busca do que é ser uma mulher brasileira, porque isso me foi tirado lá atrás. Por isso, foi um processo sagrado conhecer o país, descobrir quem é a mulher brasileira fora da minha família, que era o que eu conhecia. A mulher brasileira é muitas coisas, mas não é a Victoria’s Secret”, fala. “Me senti representada”.

“Parece que a mulher brasileira é uma experiência”

June conta que, durante boa parte de sua vida sentiu os impactos dos estereótipos que pessoas de fora do Brasil têm sobre o país e especialmente sobre as brasileiras.

“As pessoas dizem que gostam de música brasileira, mas o Brasil tem tanta música, tanto estado diferente, e as pessoas não entendem essa complexidade. É sempre bossa nova, Garota de Ipanema?, uma coisa tão antiga, tão desconectada do Brasil de hoje”, critica. “E tem sempre alguém que diz que já namorou uma brasileira, ou já foi casado com uma brasileira. Parece que a mulher brasileira é uma experiência para os homens norte-americanos”.

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