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Projeto doa máquinas de costura para pessoas reconstruírem a vida

Desde 2005, a ONG The Sewing Machine Project doa máquinas de costura para mulheres impactadas por desastres naturais ou pela guerra para gerar a própria renda

Por: Mariana Lima, via ECOA UOL

Em 2004, a norte-americana Margaret Jankowski estava acompanhando as notícias sobre a devastação provocada por um tsunami na Ásia quando se deparou com uma história que a tocou profundamente.

Em uma reportagem, ela leu sobre as perdas de uma mulher no Sri Lanka, cujo sonho de se tornar costureira havia sido destruído após as inundações terem levado tudo o que possuía, incluindo uma máquina de costura recém-comprada com anos de economia.

Margaret sabia que, ao perder aquela máquina, aquela mulher também havia perdido seu meio de gerar renda. Decidida a ajudar, a moradora do estado de Wisconsin, nos Estados Unidos, buscou uma maneira de levar equipamentos para o país.

A ideia inicial era simplesmente conseguir algumas máquinas usadas e enviá-las, mas a divulgação de seus planos no noticiário local fez com que o projeto ganhasse vida própria e atraísse um volume enorme de doações de todo tipo.

Em 2005, a primeira remessa de 25 caixas contendo brinquedos, suprimentos médicos, tecido e máquinas de costura foi distribuída entre cinco orfanatos do Sri Lanka e da Índia. Depois disso, Margaret decidiu fundar a ONG The Sewing Machine Project (Projeto Máquina de Costura, em tradução livre para o português).

Quando o furacão Katrina atingiu Nova Orleans, em setembro de 2005, o foco do projeto mudou para essa região. Centenas de máquinas foram entregues para comunidades que produziam fantasias na cidade americana famosa pelas festas de carnaval.

As doações também já foram feitas a países como Guatemala, El Salvador e Kosovo, com foco em destinatários que enfrentam desafios socioeconômicos resultantes de guerras e desastres naturais.

Nacionalmente, o projeto atende hoje centros de treinamento de imigrantes e casas de recuperação para mulheres que tentam superar o vício em drogas. Além de criar roupas, as máquinas são usadas como ferramentas de aprendizagem para ensinar a jovens e crianças um ofício ao qual poderão se dedicar no futuro.

Margaret Jankowski aprendeu a costurar com sua mãe. A atividade virou uma paixão e, com os anos, se tornou sua ocupação na idade adulta, quando começou a dar aulas de costura e criou roupas para seu primeiro filho.

Com a ajuda de outras voluntárias, Margaret percebeu que seu projeto não se limitava ao oferecimento de uma forma alternativa de obter renda.

A costureira descobriu que as pessoas que participavam dos treinamentos não queriam apenas aprender um ofício, mas também ter um espaço para conversar e compartilhar suas histórias. Assim, as oficinas de remendo e reparo de roupas se tornaram comunidades.

Em 2019, o projeto contribuiu com doações de máquinas de costura a um programa piloto no condado de Rankin, Mississippi, que funciona dentro do Centro Correcional Central da região. Nele, voluntárias que cumprem pena produzem mochilas cheias de absorventes menstruais reutilizáveis e roupas íntimas.

Os produtos são enviados para meninas de países como Uganda, onde muitas jovens deixam de frequentar a escola devido à falta de itens higiênicos.

Em seu último boletim semestral, a ONG comemorou o número de doações de máquinas. Apesar de ser uma quantidade mais baixa do que em outros anos, devido à pandemia, 155 equipamentos foram encaminhados para locais em que farão a diferença.

Entre eles, programas de assistência e abrigos dentro e fora dos Estados Unidos, incluindo países como Quênia, México e Honduras. Segundo um balanço recente, desde o ano de 2005, quando tudo começou, foram distribuídas mais de 3.350 máquinas de costura que ajudaram diversas pessoas a se tornarem autossustentáveis.

Foto: Adobe Stock | Licenciado

Fonte: ECOA UOL

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