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Pastores no MEC: estudantes pagam o preço do desgoverno no ministério

São milhares de alunos das escolas públicas os mais afetados pela falta de políticas públicas que realmente priorizem a educação e não interesses políticos

por Margarida Azevedo, via Jornal do Commercio

Ruana Nascimento, 11 anos, mora em Paulista, no Grande Recife. Está no 6º ano do ensino fundamental num colégio municipal e mal lê. Não escreve seu nome completo.

Guilherme Pereira, 10 anos, aluno da 5ª série da rede municipal de Recife, também tem dificuldades no aprendizado, sobretudo porque não teve celular para acompanhar as aulas online em 2021.

Pedro Santos, 17 anos, concluiu o ensino médio ano passado na rede estadual, mas deixou de frequentar o colégio por meses porque precisou trabalhar.

O que Ruana, Guilherme, Pedro e tantas outras crianças e adolescentes Brasil afora têm a ver com o escândalo que envolve o atual ministro da Educação, Milton Ribeiro, denunciado por privilegiar a liberação de verbas públicas da educação, sem critério técnico, para prefeituras indicadas por dois pastores evangélicos e chancelada pelo presidente da República, Jair Bolsonaro?

São eles os mais prejudicados. Não bastasse a pandemia de covid-19, que provocou imensos prejuízos para o ensino, os estudantes brasileiros como Ruana, Guilherme e Pedro sofrem com a ausência de políticas sérias para a educação pública. Um problema existente desde o início da gestão Bolsonaro e há muito tempo alertada por especialistas.

Faltam planejamento, seriedade, compromisso com o presente e o futuro dos pequenos cidadãos brasileiros. Falta direcionar recursos observando as reais necessidades dos entes públicos e não baseada em barganhas políticas. Falta olhar para a educação com a urgência que ela necessita.

Milton Ribeiro está à frente do MEC desde julho de 2020. É o quarto a ocupar, nesta gestão, um dos ministérios mais cobiçados do governo federal e responsável por comandar uma área fundamental para o desenvolvimento do País. Seus três antecessores também foram envolvidos em polêmicas: Ricardo Velez, Abraham Weintraub e Carlos Alberto Decotelli. Tivéssemos um governo sério, já teria sido substituído.

“É o pior ministro da Educação que o Brasil já teve”, ressalta a presidente do Todos pela Educação, Priscila Cruz, ao conversar com repórteres do jornal Estado de São Paulo sobre o escândalo envolvendo Milton Ribeiro. Ela emenda dizendo que espera que isso seja revertido pelo voto. No final deste ano haverá eleição para a presidência da República e governos dos Estados.

Foto: Milton Ribeiro é o quatro ministro da Educação na atual gestão Bolsonaro – CRÉDITOS: BOBBY FABISAK/JC IMAGEM

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