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Número de voluntários no Brasil é maior em tempos de crise

Momentos de crise como a pandemia ou enchentes levam a um aumento no número de voluntários em todo o Brasil, mas a ajuda diminui com o fim dos períodos mais críticos. Organizações sentem impacto e encorajam constância

Por Juliana Lima, via Observatório do Terceiro Setor

A solidariedade do brasileiro aumenta em tempos de crise, como, por exemplo, a pandemia ou as enchentes que têm atingido diversas cidades do país nos últimos meses. É o que concluem o Itaú Social e o Instituto Unibanco, através de uma pesquisa realizada pelo Datafolha.

Segundo o levantamento, 47% dos brasileiros disseram que passaram a doar mais alimentos durante a pandemia. Além disso, 9 a cada 10 pessoas reconhecem a importância do voluntariado e 48% da população faz ou já fez alguma atividade voluntária.

No entanto, após o pico de repercussão das crises, a tendência é que a ajuda e o número de voluntários diminuam. “Entendemos que o brasileiro é solidário e precisa saber melhor como participar de ações voluntárias. Temos uma grande oportunidade de melhorar os índices de voluntariado no Brasil e as empresas e organizações da sociedade civil podem trabalhar em conjunto para engajar a população e atingirmos melhores resultados enquanto sociedade”, diz Dianne Melo, coordenadora de Engajamento e Leitura do Itaú Social.

A dinâmica de esvaziamento no voluntariado tem forte impacto nas organizações do terceiro setor. Davidson Brito é coordenador do Movimento Popular (R)existir, criado no início da pandemia com o objetivo de levar apoio aos moradores das regiões periféricas da Bahia. Com as fortes chuvas que atingiram a região de Itabuna, o movimento passou também a ajudar moradores atingidos pelas enchentes, mas viu o número de voluntários cair rapidamente após o período mais crítico.

“As enchentes causaram uma comoção muito grande e geraram um maior número de voluntários no primeiro momento. Porém, quando as águas do rio Cachoeira voltaram a baixar, esse número diminuiu. Isso tem dificultado muito para que as ações permaneçam, pois as necessidades continuam. O cenário é realmente devastador, de casas destruídas, de muitas pessoas que perderam tudo. Infelizmente, a gente não tem conseguido dar conta das demandas”, diz Brito.

Para a especialista em voluntariado empresarial e consultora do Conexão Trabalho, Roberta Rossi, é preciso incentivar uma constância e um senso de responsabilidade entre os brasileiros quanto ao trabalho voluntário. “São muitas possibilidades existentes para se engajar, mas é preciso lembrar que uma vez que você se responsabiliza por uma atividade, terão pessoas contando com você. Ter compromisso é essencial”, explica.

Rossi ainda dá dicas para quem tem vontade de ajudar o próximo. Segundo ela, o primeiro passo é refletir sobre seus valores, sua disponibilidade de tempo, suas habilidades e quais atividades gostaria de realizar. Depois, pode-se mapear as iniciativas e organizações que trabalhem com o tema ou o público escolhido e partir para a ação.

Imagem: Foto: Movimento Popular (R)existir

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