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Jovens usam TikTok para reunir doações de artigos de higiene

por Ana Prado, via UOL

As jovens Jenica Baron e Alexa Mohsenzadeh, de Chicago, nos Estados Unidos, postaram um vídeo no TikTok que viralizou. Mas o que seria só um acontecimento divertido deu origem a uma organização sem fins lucrativos que ajuda pessoas de diversas cidades do país – e até fora dele.

Hoje com 19 anos, as duas são amigas desde o ensino fundamental e estudaram juntas até entrarem na faculdade. Um dia, numa aula do ensino médio, elas aprenderam sobre um problema social que muita gente ignora: a pobreza menstrual.

“Há muitas mulheres sem acesso a absorventes, e elas precisam recorrer a alternativas nada seguras, como trapos ou sacolas de plástico – ou até chegam a usar o mesmo absorvente por dias. Isso pode ter sérias complicações para a sua saúde física e mental no longo prazo”, explicou Alexa a um programa de TV.

Um estudo feito em 2019 com mulheres americanas de baixa renda descobriu que quase dois terços delas têm dificuldade para comprar absorventes. No Brasil, a situação não é muito diferente. Uma pesquisa de 2018 mostrou que 22% das meninas de 12 a 14 anos não têm acesso a esses produtos, e o número sobe para 26% entre aquelas de 15 a 17 anos.

Essa preocupação voltou ao pensamento das estudantes em julho de 2020, quando Jenica começou um novo hobby de quarentena: costurar. Ao aprender a fazer sutiãs, ela teve a ideia de iniciar uma produção para doar a pessoas que estivessem precisando. Chamou Alexa para ajudá-la na empreitada, mas não deu muito certo: a amiga não tinha tanta habilidade para a costura. Elas então optaram por outro caminho: coletar sutiãs já prontos, e também itens de higiene que ajudassem a combater a pobreza menstrual.

Viralizando sem querer

Para divulgar a ideia, elas postaram um vídeo no TikTok pedindo doações que seriam levadas a instituições de Chicago. Mas o que havia sido pensado para ser apenas uma ação entre amigos e conhecidos se tornou viral e rendeu incontáveis mensagens de pessoas querendo ajudar.

“Oferecemos etiquetas de frete grátis para quem quisesse nos enviar as doações, e foi aí que começamos a receber um monte de remessas de todos os lugares. O dinheiro para as etiquetas estava saindo de nossos bolsos porque queríamos ter engajamento, mas aquele vídeo explodiu a tal ponto que não podíamos mais pagar”, lembra Alexa ao jornal Chicago Tribune.

Hoje, o vídeo contabiliza mais de 354 mil visualizações e 92 mil curtidas. Vendo que a iniciativa conquistou tantos interessados, as meninas montaram um projeto e deram o nome de Her Drive, que em inglês faz referência ao fato de as doações serem entregues de carro pelas voluntárias às instituições.

Deu tão certo que logo se expandiu e, em outubro de 2020, se tornou uma rede formada por centenas de voluntários nacionais e internacionais, que podem organizar e distribuir suas próprias arrecadações localmente. Já foram mais de 400 ações em mais de 40 estados americanos, além de países como Canadá, Reino Unido e Porto Rico.

Apesar do sucesso, as estudantes mantêm os pés no chão: “[A pobreza menstrual] não é um problema novo; existem muitas organizações trabalhando nisso. A única coisa que estamos fazendo é tentar mobilizar os jovens”, disse Alexa ao jornal local. O uso que elas têm feito das redes sociais vem garantindo uma boa comunicação com essa faixa etária: sua conta tem mais de 137 mil seguidores no TikTok e 17 mil no Instagram.

Organizando o trabalho

A iniciativa consome de 15 a 20 horas semanais das jovens, que conciliam o trabalho voluntário com as aulas na universidade – Alexa é estudante de direito e Jenica faz faculdade de saúde pública.

Para ajudar a dar conta de tudo, elas contam com os irmãos mais novos. “Eles nos ajudam a recolher os artigos, contabilizar tudo e garantir que as doações estão organizadas na nossa garagem. É engraçado”, disse Jenica.

Além de sutiãs e absorventes, os grupos também reúnem itens como xampu, condicionador, sabonete, desodorante, coloração para cabelos, itens de higiene dental, meias, maquiagem, lenços umedecidos, testes de gravidez, máscaras, desinfetante para as mãos e muito outros. Ao todo, já foram coletados e distribuídos mais de 165.000 produtos menstruais, 11.000 sutiãs novos e semi-novos e 100.000 itens de higiene geral.

Entre os lugares beneficiados estão abrigos para mulheres e crianças, organizações de apoio a sobreviventes de violência doméstica, centros comunitários LGBTQ+, organizações lideradas por pessoas negras e programas de apoio a refugiados. “Nosso objetivo é capacitar e educar a próxima geração de jovens líderes para trabalhar a fim de eliminar a pobreza menstrual em suas comunidades locais”, explica o site oficial.

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